Sobre o Letra de Mulher

O Letra de Mulher é um evento literário dedicado ao debate e divulgação do trabalho de escritoras. As convidadas, artistas e criadoras de diversas linguagens e formatos literários contam suas trajetórias e mostram as diversas facetas das mulheres na literatura.

Quem realiza:

Maré Produções

Considerada uma das principais empresas de produção cultural da Bahia, a Maré, em seus três anos de existência, desenvolveu projetos que entraram para o calendário cultural do Estado. Capitaneada pela produtora cultural Fernanda Bezerra, a empresa já desenvolveu mais de 60 ações no campo da cultura nas mais diferentes linguagens. No que se refere ao estímulo do protagonismo da produção artística feminina, a Maré desenvolve ações como: “Trio Respeita as Minas”, o ciclo de conferências “Mulher com a Palavra”, e agora, o Letra de Mulher chega para completar este conjunto de ações.

RESUMO DA PROGRAMAÇÃO

Mesas – De quinta a domingo

DIA 08 às 20h: Mesa de abertura:  Outras Palavras. Com Alice Ruiz e  Estrela Lemisnki

Dia 09 às 15h: Mercado, publicação e reconhecimento: os caminhos das escritoras – Com Luisa Geisler e Carol Bensimon.

DIA 09 às 17h30 Literatura, feminismo e produção independente na internet Com Clara Averbuck, Lady Sybylla e Flávia Azevedo.

Dia 09 às 20h: O que faz uma escritora? Com Mabel Veloso e Maria Valéria Rezende.

Dia 10 às 14h – Contação de histórias Com Daniela Andrade (atividade infantil).

Dia 10 às 15h Ser Mulher, Ser negra, ser escritora Com Cidinha da Silva.

Dia 10 às 17h – Meu livro de cabeceira ou do YouTube para as prateleiras. Com Jout Jout.                                                                                                                                                               

Dia 10 às 18h30 – Literatura Movimenta – Iniciativa que estimulam a formação e difusão da produção literária produzidas por mulheres.  Com Juliana Gomes (Leia Mulheres) e Suzana Ventura (Mulheril das Letras).

Dia 10 às 20h- Outras Palavras – A relação da literatura e outras linguagens nas artes – Com Zélia Duncan.

Dia 11 às 16h – Literatura das Bordas – Todas as palavras em evidência. Com Lívia Natália e Roberta Estrela D’Alva.

Dia 11 às 19h – Outras Palavras – A relação da literatura e outras linguagens nas artes. Com Roberta Estrela D’Alva, Karina Buhr e Ju França.

Oficina – Dias 10 e 11, sábado e domingo, das 09h30 até 12h. Com Kátia Borges

Dia 08, às 20h Mesa de abertura: Outras Palavras, com Alice Ruiz e Estrela Lemisnki 

Outras Palavras: nem só de papel é feita a literatura. A diversidade de formas de expressão é apresentada nas performances de Alice Ruiz e Estrela Lemisnki. A poesia e a música se fundem nesse recital que combina canções e leituras de trechos célebres de escritoras.

Alice Ruiz: Poeta, haikaista e compositora, Alice Ruiz publicou até o momento 21 livros, entre poesia, traduções e histórias infantis. Foi premiada com o Jabuti de Poesia, de 1989, pelo livro “Vice Versos”, e o Jabuti de Poesia, de 2009, pelo livro “Dois em Um”.

Estrela Lemisnki: Estrela Leminski é escritora, compositora e filha dos poetas Paulo Leminski e Alice Ruiz. Publicou os livros “Cupido, cuspido, escarrado” (2004) e “Poesia é Não” (2010). Em 2014, lançou o projeto Leminskanções, que reúne composições musicais de seu pai.

Dia 09, às 15h: Os caminhos das escritoras: mercado, publicação e reconhecimento. Com Luisa Geisler e Carol Bensimon.

As mulheres escritoras conquistam espaço, publicam e estão presentes no mercado editorial, mas ainda estão longe de conquistar o mesmo reconhecimento e visibilidade de seus colegas homens. Por quê? As duas escritoras debatem o machismo no meio literário.

Luisa Geisler: Escritora, aos 19 anos, ganhou o Prêmio Sesc de Literatura de 2010 na categoria contos, pelo seu livro de estreia, “Contos de Mentira”. No ano seguinte, venceu o Prêmio Sesc de Literatura na categoria romance, com o livro “Quiçá” (2012). Foi a mais jovem escritora da antologia “Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros”, editada pela revista Granta.

Carol Bensimon: Escritora e tradutora, publicou três romances pela editora Companhia das Letras: “Sinuca Embaixo d’Água” (2009), “Todos Nós Adorávamos Caubóis” (2013) e “O Clube dos Jardineiros de Fumaça” (2017). Em 2012, foi incluída na edição “Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros”, da revista britânica Granta.

Dia 09, às 17h30: Literatura, feminismo e produção independente na internet. Com Clara Averbuck, Flávia Azevedo e Lady Sybylla.

A internet é um espaço importante para o surgimento, publicação e divulgação de novas escritoras que não teriam voz em meios tradicionais. As convidadas da mesa são representantes desse fenômeno e discutem como o conteúdo independente, sem amarras, têm potencial para transformar a visibilidade das mulheres na literatura.

Clara Averbuck a escritora criou um blog na década de 2000 e virou um fenômeno da internet, o que então era novidade no Brasil. A partir daí, lançou seu primeiro livro, Máquina de Pinball (2002), que inspirou o filme “Nome Próprio” (2006). Com parceiras, lançou o site “Lugar de Mulher” sobre feminismo. Entre livros publicados estão “Eu quero ser Eu” (7Letras, 2013) e “Toureando o Diabo” (2015), publicado de maneira independente por meio de uma campanha de financiamento na internet.

Flávia Azevedo Produtora, Flávia Azevedo escreve colunas semanais no site do jornal Correio, em que debate temas relacionados ao feminismo e empoderamento feminino.

Lady Sybylla   Escritora de ficção científica e blogueira do Momentum Saga, lançou com a também escritora independente Aline Valek o selo “Universo Desconstruído”, que tem o objetivo de publicar ficção científica feminista como forma de combater o machismo tão presente nesse nicho.

Dia 09, às 20h: O que faz uma escritora? Autoras falam sobre a relação entre vida e obra. Com: Mabel Veloso e Maria Valéria Rezende.

Em um contexto que concebe escritores como homens, brancos, jovens e do eixo Rio-São Paulo, Maria Valéria Rezende e Mabel Veloso apresentam suas trajetórias díspares para contar as relações entre vida e obra, nos levando pelos caminhos que as fizeram escritoras.

Maria Valéria Rezende: Ganhadora do prêmio Jabuti 2015 pelo romance “Quarenta Dias” (2014) e o Prémio Casa de las Américas pelo livro “Outros Cantos” (2016). Maria Valéria descobriu-se escritora após os 60 anos. Desde a década de 1960, é freira da congregação de Nossa Senhora Cônegas de Santo Agostinho e educadora popular. 

Mabel Velloso: Professora, poeta, contadora de história como adora ser chamada Mabel Velloso tem inúmeros livros publicados ao longo de sua carreira tais como: Pedras de Seixos (seu primeiro livro), Poemas grisalhos, Cartas a Nossa Senhora , biografia de Irmã Dulce e Antologia entre outros, além de vários livros infantis como Barrinho (encenado no teatro), Arraia Azul, Medo do escuro e biografias para leitores infanto juvenil de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Mabel é nome de biblioteca no Colégio Maristas Patamares e de auditório no Colégio Antonio Vieira em cuja  inauguração foi exibido o documentário sobre sua vida dirigido pela professora da USP Margarida Mamede. Trabalha também como professora na faculdade da terceira idade.

 

 

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Dia 10, às 14h – Contação de histórias. Com Danielle Andrade. (Atividade infantil)

Atividade infantil do Letra de Mulher, a contação de histórias com a arte-educadora Danielle Andrade será uma oportunidade para apresentar histórias divertidas de escritoras mulheres para as crianças.

Danielle Andrade: Arte-educadora, Danielle Andrade é a criadora do projeto Feira de Histórias Fantásticas, que tem como referências as feiras livres e os camelôs, apresentando com um repertório autoral, adaptações de contos populares para o público infantil.

Dia 10, às 15h – Conferência: Ser Mulher, ser negra, ser escritora. Com Cidinha da Silva.

A partir de sua trajetória como escritora e intelectual, nesta conferência, Cidinha Silva aponta as razões que dificultam a visibilidade dos talentos das mulheres negras, ao mesmo tempo em que discute os avanços da luta política por igualdade de gênero e raça.

Cidinha da Silva  – a mineira é uma referência em literatura e narrativas das transformações sociais, especialmente relacionadas às populações negras. É autora dos livros “Parem de nos matar” (Editora Ijumaa); “Racismo no Brasil e Afetos Correlatos” (Conversê Edições); “Oh, margem! Reinventa os rios!” (Editora Selo Povo); “O mar de Manu” (Editora Kuanza); “Kuami” (Editora Nandyala); “Os nove pentes d’África” (Mazza Edições); “Cada tridente em seu lugar e outras crônicas” (Mazza Edições), dentre outras publicações. Mantém ainda o “Blog da Cidinha”, no qual publica crônicas e textos.

 

Dia 10, às 17h – Do YouTube para as prateleiras. Com Jout Jout.

Com Jout Jout.

A youtuber Julia Tolezano, mais conhecida como Jout Jout, conta como o seu trabalho como produtora de vídeos a levou a publicar o livro Tá todo mundo mal (2016). A relação da sua geração com a internet e a leitura será abordada a partir da sua própria trajetória, contando como as leituras que fez na infância e adolescência a influenciaram na sua profissão.

Julia Tolezano: a Jout Jout, YouTuber do canal Jout Jout Prazer. Escritora e jornalista, publicou o livro “Tá todo mundo mal” (2016), que reúne as suas angústias em textos tão divertidos quanto os vídeos do seu canal no YouTube

Dia 10, às 18h30 – Literatura Movimenta: iniciativas que estimulam a formação e difusão da produção literária produzidas por mulheres. Com Juliana Gomes (Leia Mulheres) e Suzana Ventura (Mulherio das Letras).

Divulgar e incentivar a leitura e produção de escritoras são os objetivos em comum de diversas iniciativas atuais, como o Leia Mulheres e o Mulherio das Letras. Representantes dos dois projetos contam como a união de mulheres está transformando a literatura.

Leia Mulheres: Juliana Gomes é uma das criadoras do clube de leitura Leia Mulheres, inaugurado em São Paulo, em 2015. Com reuniões mensais, o grupo fomenta a leitura de mulheres escritoras e se espalhou de forma orgânica por mais de 30 cidades brasileiras, inclusive Salvador.

Mulherio das Letras: Susana Ventura é representante do Mulherio das Letras, articulação nacional criada para reunir, auxiliar e revelar mulheres escritoras. Conceição Evaristo, Mirna Queiroz e Joselia Aguiar são algumas das participantes. O movimento já conta com mais de 5 mil mulheres conectadas. O primeiro encontro foi realizado em João Pessoa, em 2017.

Dia 10, às 20h – Outras Palavras: A relação da literatura e outras linguagens nas artes. Com Zélia Duncan.

O Outras Palavras prova que o fazer literário é múltiplo e abarca várias linguagens. Com Zélia Duncan, reconhecida por suas composições e experimentações do teatro à música, as canções se transformam em poesia, e a palavra escrita e cantada aguça todos os sentidos.

Zélia Duncan: Cantora e compositora, Zélia Duncan é mais conhecida por seu trabalho com a música, com mais de 10 álbuns autorais e 30 anos de carreira. Sua criatividade a faz transitar pelas linguagens, da música ao teatro, e entre os diversos gêneros musicais.

Dia 11, às 16h – Literatura das Bordas – Todas as palavras em evidência. Com Lívia Natália e Roberta Estrela D’Alva.

Afastadas do cânone literário, estão as literaturas que convivem nas bordas, nas periferias, nas lutas cotidianas em que culturas e povos oprimidos se encontram e se expressam, gerando gêneros como o rap, o cordel e a escrita das mulheres negras representadas nesta mesa.

Roberta Estrela D’Alva: Slammer, atriz, escritora e MC. É idealizadora do ZAP ! Zona Autônoma da Palavra, primeiro slam no Brasil (poesia falada ou batalha de poesia, ligada à linguagem do hip hop). Em 2012, venceu a competição internacional de slam em Chicago, onde nasceu a prática, e recebeu o prêmio das mãos de Mark Smith, o criador do slam.

Lívia Natália: Doutora em Teorias e Crítica da Literatura e da Cultura pela Ufba e professora de Teoria da Literatura, Lívia Natália é poeta e publicou seu primeiro livro, “Água Negra”, em 2011, com o qual ganhou o Prêmio Capital Cultura e Arte, na categoria poesia.

Dia 11, às 19h – Outras Palavras: Sarau de Encerramento. Performance com Roberta Estrela D´Alva, Karina Buhr e Kuma França.

O sarau de encerramento mostra a multiplicidade de linguagens e tons de mulheres que usam a palavra e a literatura como trabalho e inspiração. As artistas Roberta Estrela D´Alva, Karina Buhr e Kuma França se revezam em uma sessão de performances que integram música, poesia, rap e literatura.

Roberta Estrela D´Alva: Slammer, atriz, escritora e MC. É idealizadora do ZAP ! Zona Autônoma da Palavra, primeiro slam no Brasil (poesia falada ou batalha de poesia, ligada à linguagem do hip hop).  Em 2012, venceu a competição internacional de slam em Chicago, onde nasceu a prática, e recebeu o prêmio das mãos de Mark Smith, o criador do slam.

Karina Buhr: Cantora, compositora, percussionista e poeta, lançou três álbuns solo, entre eles o mais recente, “Selvática” (2015), que evoca a figura da mulher guerreia. Em 2015, também publicou o seu primeiro livro, o “Desperdiçando Rima”, cujos textos influenciaram o disco.

Kuma França: Poeta, baiana e participante de movimentos poéticos das periferias de Salvador, como o “Poesia Marginal”.

Oficina – sábado e domingo

Dias 11 e 12, das 09h até 12h – Kátia Borges

A poesia é uma festa: Serão duas manhãs para aprender sobre poesia e contemporaneidade, especialmente a partir das vozes femininas que, no Brasil e na Bahia, mantêm esta arte sempre em movimento. Oficina ministrada pela poeta e jornalista Kátia Borges.

Kátia Borges: Jornalista, nascida em Salvador, escreve romances, contos, poesias e crônicas.  Publicou os livros de poesia “De volta à caixa de abelhas” (2002), “Uma Balada para Janis” (2010), “Ticket Zen” (2011), “São Selvagem” (2014) e “O Exercício da Distração” (2017).

Espaços das Letras – das 14h às 18h – quinta a domingo

Livraria e sessão de autógrafos no pátio externo.

Equipe curadora

Dayse Porto é conteudista, jornalista, mestre em semiótica da cultura. Assina a direção artística de eventos como o Mulher com a Palavra (edições de 2016 e 2017), realizada pela Maré Produções Culturais e Secretaria de Políticas para as Mulheres, entre outros eventos. Foi editora de texto de telejornais como o Jornal do SBT (São Paulo) e diretora de conteúdo da revista eletrônica cultural Programa Espaço Mix (Mix TV São Paulo). É roteirista e diretora de conteúdo de documentários,  webséries e novos formatos. Publicou o livro “Série Ó Paí, Ó –  Cultura Oral da Bahia na TV” (Edufba). Contemplada pelo edital Bahia na Tela, prepara-se para rodar um filme sobre mulheres indígenas líderes de aldeias do sul da Bahia – “As Indígenas da Terra”. É autora ainda do roteiro do longa-metragem de ficção “Não Gosto de Gostar de Você”, selecionado pelo edital Prodav 05  de desenvolvimento de roteiro, que está em fase de pré-produção.

Paula Janay é jornalista, pesquisadora e mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas, pela UFBA, com produções sobre a relação entre gênero e literatura. Assina os roteiros das edições do “Mulher com a Palavra”, realizadas pela Maré Produções Culturais e Secretaria de Políticas para as Mulheres. Foi mediadora do projeto “Leia Mulheres Salvador”, que promove a leitura da literatura feita por mulheres